Gêneros líricos Todos os gêneros, porém, partem de uma classificação padrão, adotada desde a
Antiguidade:
narrativo ou
épico;
lírico e
dramático. Deste tronco principal partem as ramificações menores, ou seja, os subgêneros.
Na modalidade lírica o poeta exprime seus sentimentos mais íntimos, as emoções que povoam seu universo interior. E o faz através do ritmo, da melodia que embala os versos. As palavras ganham uma intensa sonoridade. A palavra “lírico” provém do latim e tem o sentido de “lira”, o instrumento mais comum na
Grécia Antiga, com o qual se imprimia um tom melódico à poesia da época. O âmago deste gênero é a subjetividade do autor, melhor dizendo, do eu-lírico. Ele se divide em:
- Poesia: Sua essência é a harmonização da palavra.
- Ode: Composição calorosa e sonora.
- Sátira: Texto que escarnece de alguém ou de um determinado contexto.
- Hino: Criação que louva ou engrandece algo. Por exemplo, uma nação ou uma divindade.
- Soneto: Poema com 14 versos: dois quartetos e dois tercetos.
- Haicai: Poemas japoneses, desprovidos de rima, compostos geralmente por três versos.
- Acróstico: Poesia na qual as primeiras letras de cada verso, ou em alguns casos as da posição central ou as do final, compõem, na vertical, um ou mais nomes, uma ideia, axiomas, entre outras concepções.
Gêneros narrativos
No gênero narrativo o autor estrutura uma história, quase sempre em prosa, que pode se inspirar em eventos reais ou ser apenas de natureza fictícia. Nessa modalidade as cenas se desenrolam de forma consecutiva no espaço e no tempo. Ele pode ser classificado nos subgêneros romance, conto, crônicas, novelas, entre outros. Esta modalidade se distingue, estruturalmente, por apresentar uma trama com início, um clímax e uma conclusão.
- Romance: As produções literárias que aqui se enquadram trazem um enredo integral, com marcas temporais, cenários e personagens determinados com precisão. Ele nasceu na Era Medieval e Dom Quixote, de Cervantes, é seu modelo principal.
- Fábula: Criação no estilo fantástico, comprometida apenas com a esfera imaginária. Os personagens que desfilam por estas histórias são normalmente animais ou artefatos; a intenção é difundir, por meio da história, mensagens de cunho moral.
- Novela: Narrativa mais concisa que o romance e maior que o conto, mas tão sucinta quanto o mesmo. Exemplo: O Alienista, de Machado de Assis; A Metamorfose, de Kafka.
- Conto: Obra ficcional intensa em conteúdo e breve na forma. Normalmente é engendrada a partir de eventos e figuras imaginárias.
- Crônica: Texto isento de qualquer formalidade; traduz acontecimentos do dia-a-dia com uma linguagem informal, sucinta. Apresenta pitadas de humor e de crítica. Está na fronteira entre o jornalismo e a literatura. Exemplo:Crônicas de Machado de Assis.
- Ensaio: Produção literária resumida, inserida entre o gênero lírico e a didática. Nele o autor apresenta seus conceitos, críticas e ponderações morais e filosóficas sobre um determinado tópico. Ele é mais informal e elástico que o tratado.
- Poesia Épica ou Epopeia: Poemas narrativos mais ou menos breves, os quais retratam quase sempre ações heroicas. Exemplo: As Canções de Gesta produzidas no âmbito da poesia medieval francesa.
- Destes subgrupos surgem outras ramificações:
Gêneros dramáticos
A modalidade dramática teve início na Grécia Antiga, possivelmente em festas realizadas em honra de Dionísio, deus do vinho. As obras que se filiam a este gênero são especialmente criadas para serem exibidas em montagens teatrais. Hoje é mais complicado distinguir um drama de outro gênero da literatura, pois se generalizou a prática de converter qualquer produção literária em roteiro para apresentação nos palcos.
- Farsa: Tende para o cômico; a ação é corriqueira e se baseia na rotina diária e no ambiente familiar.
- Tragédia: Reproduz um evento trágico e tem por fim suscitar piedade e horror.
- Elegia: Louva a morte de uma pessoa; este evento é o ponto central da peça. Exemplo: Romeu e Julieta, de Shakespeare.